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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Pesquisadores estudam tremores de terra em Montes Claros (MG)

Informações geográficas

Entre principais preocupações estão conhecer causas e adoção de medidas para proteger população
por Portal BrasilPublicado
03/09/2014 
Nas últimas décadas, uma série de abalos sísmicos em Minas Gerais, principalmente em Montes Claros, tem despertado o interesse de cientistas sobre a origem do fenômeno e a preocupação dos moradores da região. As autoridades também demonstram atenção com o assunto no sentido de conhecer as causas, com vistas à orientação da população e à adoção de medidas emergenciais, principalmente com os residentes nas áreas de risco, em caso de ocorrências de tremores mais graves.
Entre as cidades mineiras em que já foram registrados os tremores estão São José da Lapa, Nova Lima e Pedro Leopoldo, na região metropolitana de Belo Horizonte; Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas; Capitão Enéas, Itacarambi e Montes Claros, no Norte do estado e Rubelita, no Vale do Jequitinhonha.
Montes Claros destaca-se pela frequência do fenômeno. Registros sísmicos realizados pelo Observatório Sismológico da UnB (SIS-UnB) e pelo Centro de Sismologia da USP (IAG-USP) mostram que esses pequenos tremores de terra vêm ocorrendo desde 1995 – foram 41 eventos até agora. Os tremores aumentaram nos anos seguintes, principalmente, em 1999, 2010, 2011, 2012 e 2014. A intensidade dos eventos sísmicos tiveram magnitude iguais ou superiores a 2,0 graus na escala Richter. Desse total, ocorreram 32 tremores com magnitudes entre 2,0 a 2,9; oito entre 3,0 e 3,7 e um tremor acima de 4,0.
Segundo Expedito José Ferreira, professor da Universidade Estadual de Montes Claros e também um dos coordenadores de uma comissão estadual de pesquisadores que estuda os abalos em Montes Claros, esses tremores têm causado medo na população, principalmente aqueles com magnitudes superiores a 3,0, como os ocorridos em 1995 (3,7), 1999 (3,5), 2011 (4,2 e 3,3), 2012 (4,2 e 3,6), 2013 (3,7) e, mais recentemente, em abril de 2014, dois sismos com magnitudes variando entre 2,0 a 3,3.
Em alerta
Nos momentos de ocorrência desses eventos, o comportamento mais comum das pessoas é de sair para rua e buscar informações com a vizinhança, num clima de inquietação, insegurança e preocupação devido às incertezas de novos tremores.
Foi em 19 de maio de 2012, por volta de 10h43min, que aconteceu o tremor mais forte registrado até a presente data, com magnitude de 4,2 na escala Richter e intensidades entre V e VI na escala de Mercalli modificada. O evento foi bastante divulgado na imprensa e assustou a população de Montes Claros.
Morador do bairro Santo Expedito, José Guimarães estava em casa assistindo TV quando sentiu o abalo. “Tomei um susto daqueles. Quase tive um troço”, lembra. Assim como muitos moradores, ele tem preocupações sobre o assunto. “Tá virando rotina aqui. Mas eu não me acostumo. Fico me perguntando se estão dizendo a verdade pra gente sobre o que está acontecendo. Não sei exatamente o que fazer. Mas, se pudesse, me mudava de mala e cuia para longe daqui”, explica.
Falha geológica
A intensidade e frequência do fenômeno chamou a atenção de pesquisadores da área de sismologia de diversas partes do País e, principalmente, dos governantes estadual e municipal. A principal preocupação é conhecer as causas e adotar medidas para proteger a população, principalmente os que moram em áreas de maior risco.
Uma das ações já realizadas foi a instalação, em maio de 2012, de uma rede sismográfica no entorno da cidade de Montes Claros. Os equipamentos foram distribuídos em locais de melhor resposta sísmica. Ao todo, são nove estações sismográficas, sendo cinco sob a responsabilidade do Observatório Sismológico da UnB (SIS-UnB), e quatro, do Departamento de Geofísica da Universidade de São Paulo – IAG/USP. O objetivo é observar o comportamento sísmico local e identificar as possíveis causas.
Expedito Ferreira explica que os estudos realizados no período de junho a novembro de 2012, com base nos eventos sísmicos registrados pelas estações sismográficas instaladas, possibilitaram aos pesquisadores do SIS-UnB e IAG-USP a inferirem que os tremores mais fortes ocorrem numa falha geológica próxima ao Bairro Atlântida.
Os estudos apontam que essa falha é a responsável pelos tremores que ocorrem na cidade, conforme descrito no Estudo dos Tremores de Terra de Montes Claros, de 2012, elaborado pelo SIS-UnB e IAG/USP. As análises preliminares indicam tratar-se de uma falha inversa cuja movimentação é causada por tensões geológicas naturais do tipo compressão. Os tremores têm origem a profundidades entre um e dois quilômetros da superfície, aproximadamente, em rochas cristalinas da parte superior da crosta, abaixo da camada de calcário (resultado ainda a ser confirmado por estudos mais detalhados).
Neste estudo, os pesquisadores afirmam que tremores de magnitude 4,0 ou maior ocorrem, em média, duas vezes por ano no Brasil e, desta maneira, a atividade sísmica em Montes Claros não é incomum e não há evidência de que a exploração em pedreiras próximas à cidade tenha relação com a atividade sísmica.
Os estudiosos afirmam, ainda, que não é possível prever se a atividade vai continuar diminuindo ou se haverá novo surto com algum tremor de magnitude superior a 4,0. O cenário mais provável é que a atividade diminua gradualmente com alguns tremores ocasionais de magnitude perto de 3,0. A probabilidade de ocorrer outro tremor maior é estimada em 1% (baseado em estatísticas de outros casos no Brasil). Mesmo com a possibilidade pequena, os estudos concluem com a recomendação de reforçar as casas frágeis próximas à área epicentral.
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